13.7.09

Force Of Gravity

Cá está ele: o novo álbum dos Sylvan!!!


E por aquilo que já pude ouvir no site oficial, o álbum promete...

Espero que não precise esperar muito...acho que até vou mandá-lo vir da Alemanha, como fiz com o Posthumous Silence...


12.7.09

Tão breve e...

Entre uma infinidade de hipóteses de não teres nascido, saiu-te a sorte de teres nascido. Se te tivesse saído a «sorte grande», haveria gente que se admiraria de isso te ter acontecido. Tu mesmo dirias talvez que parecia um «sonho», que era inacreditável, que ainda não tinhas caído em ti do assombro.

Mas essa sorte foi a de um número entre dezenas de milhares ou mesmo centenas. Mas teres nascido é ter-te saído a sorte entre biliões e biliões e biliões de hipóteses negativas. Saiu-te o número inscrito numa areia do universo. Tens pois o privilégio incrível de veres o sol, as flores, os animais. De ouvires as aves e o vento. De. E todavia, como esqueces isso tão facilmente. Breve tudo se te apagará em silêncio. Breve a oportunidade de estares vivo cessou. Provavelmente ninguém mais saberá que exististe. E mesmo dos que o souberem, não se saberá um dia. Num momento não muito longínquo morrerá o último homem sobre a face da Terra. Esse é, aliás, o momento da tua própria morte, porque tu és o primeiro e o último homem que nasceu. Tudo é rápido e contingente e miraculoso. Tudo é rápido e sem consequências. A única consequência és tu e a vida que viveres. Não a desperdices. Não inutilizes a fabulosa sorte que to calhou. Vê. Ouve. Para, escuta e olha, que a morte vai passar. E terás cumprido ao menos, para com o universo, um pouco do teu dever de gratidão.
V.Ferreira, Pensar

5.7.09

Dois "R"...


Estou de volta...finalmente...
É incrível como nos habituamos às coisas, como o estar privada da minha ligação à net pode interferir, alterar, transtornar o meu dia...uma famárcia de serviço, o tempo para amanhã, "ir" ao banco, consultar artigos, ler revistas on-line, consultar blogues amigos, mandar um mail, receber um documento...enfim...tudo isso é impossível de se fazer. Mas pronto. Já passou. Também são coisas que acabam por ter as suas virtualidades...obrigam-nos a dirigir o olhar num outro sentido e a encontrar outras coisas.
Mas não é por isso que estou aqui, se bem que é POR ISSO que aqui pude vir...o assunto é este pequeno excerto de um livro (de um pequeno fantástico livro) que é de leitura obrigatória: Cartas a Um Jovem Poeta, do Rilke. Tive o prazer de o apresentar em tempos lá na escola, no âmbito de uma actividade dedicada à leitura, e quantas, mas quantas vezes, "tropeço" em excertos do livro que abundam por aí, nos mais inusitados lugares e que encaro como verdadeiros sinais quando, do "nada", me vêm parar às mãos...
Partilho aqui um desses "sinais" que não podia deixar de acompanhar com um a música mágica...Daníell In The Sea...Riceboy Sleeps, uma divina descoberta recentíssima graças a este emaranhado de fios que me liga ao mundo inteiro e liga o mundo inteiro a mim:www
Fica o texto...
"Acredito que quase todas as nossas tristezas são momentos de tensão que consideramos paralisantes porque deixamos de ouvir os sentimentos surpreendidos a viver. Porque nos encontramos sós com uma coisa estranha que entrou no nosso interior (…) a coisa nova dentro de nós, aquela que está a mais, entrou no nosso coração, entrou para a parte mais profunda e já lá não está – já está no nosso sangue. E não percebemos o que foi. Facilmente poderíamos acreditar que nada acontecera, e o entanto estamos diferentes, como uma casa fica diferente quando um hóspede entra. Não sabemos dizer quem chegou, talvez nunca o saibamos, mas muitos sinais indicam que o futuro entra em nós, muito antes de acontecer. (…) E isso é necessário. É necessário (…) que nada de estranho nos deve acontecer, apenas aquilo que há muito nos pertence…”.
Rainer Rilke, Cartas a Um Jovem Poeta

28.6.09

Em vez das Palavras...

As palavras pouco são perante Isto...

nýja lagið from sigur-ros.co.uk on Vimeo.

25.6.09

O Veneno

Há um veneno que nos corrói, que alastra sub-repticiamente tomando conta de nós. É um ácido que reduz a nada aquilo que somos. Produzimos lentamente este veneno que nos aniquila no âmago do nosso ser. Ele nasce ali…sem nos darmos conta..nasce desse desejo desmesurado de perscrutar o horizonte longínquo, de chamar a Terra pelo seu nome, de gritar ao vento de que são feitas as coisas que se calam cá dentro. Aos poucos começa a tomar forma, entranha-se no nosso corpo, invade lentamente o nosso sistema circulatório, chega onde nada alguma vez ousou chegar. Sufocamos lentamente, agonia de nós mesmos, mas felicidade plena de sermos só nós naquele momento, ali. Podemos partilhá-lo com o silêncio, interlocutor privilegiado que sabe o valor das pequenas pausas. O veneno alastra na exacta medida do desvendar os segredos que estão além da dor.

Mas há um ponto de retorno, de inversão do caminho: o antídoto, tantas vezes encontrado a partir dos próprios elementos que compõem o veneno, mas com o poder de o neutralizar. Que ganhamos com o antídoto? A Vida. O que perdemos? O Olhar, cortina de invisível que nos permite aceder às outras camadas da realidade, aquelas que resistem, vão ficando, depois da erosão ácida quando já só pode estar o que constitui cada coisa naquilo que ela é: nada em si mesma.

21.6.09

Pensamento de domingo...

"A fraqueza da razão provém do facto de ela resultar, em primeiro lugar, do despojamento da sua dimensão afectiva".
(V. von Weizsaecker)

20.6.09

The Burden is Mine...Alone

Grande música...dedicada a todos os que vivem de dentro para fora...

13.6.09

Tempo de Ficar...Tempo de Partir

Tempo de Ficar, se são fortes os fios que nos prendem ao chão. Amarras de um amanhã, ou restos de traços que não foram desenhados, nem puderam ser.

Tempo de Ficar, se uma quietude estranha toma conta do pensamento, resgatando-nos ao tempo e entrelaçando os nossos dedos nas ténues linhas que desenham os dias.

Tempo de ficar se o vento despedaça as asas e apela ao horizonte que nele fixemos o olhar, na atitude contemplativa de quem sempre soube de onde vinha o vento.

Tempo de Ficar, se os pés pertencem ao chão, se o toque da pele se revê na terra húmida e o bater do coração ecoa em cada passo.

Tempo de Partir, se as fitas de seda com se amarram os pulsos cederam aos sonhos e se libertaram no vento incerto.

Tempo de Partir, se os pensamentos ruidosos se acotovelam no espaço exíguo que têm para ser e nos arremessam para fora de nós em direcção ao desconhecido.

Tempo de Partir, se as asas doem no esforço vão de se abrir, se não conseguem encontrar o chão, nele poisar ou a ele pertencer.

Tempo de Partir sem sair do lugar.

Tempo de Ficar na sensação de Partir.

4.6.09

Gralhas em análise...

Estava há pouco a escrever um mail e, ao relê-lo, antes de o enviar, apercebi-me de uma gralha curiosa que me deixou a pensar: tinha trocado a ordem de uma consoante e de uma vogal na palavra "alma" e, portanto, tinha escrito "lama". Leituras psicanalíticas à parte, dei comigo a pensar no ténue fio que vai de uma coisa a outra...tão ténue, tão imperceptível como essa discreta troca de letras! Como uma "alma" se pode tornar "lama"! Como uma alma, dimensão de vivências e espiritualidade, diferenciadora e, ao mesmo tempo unificadora, se pode tornar uma massa informe ou disforme, sem consistência e sem vida!!!

30.5.09

Blood of Eden...

...Peter Gabriel