Estou de volta...finalmente...
É incrível como nos habituamos às coisas, como o estar privada da minha ligação à net pode interferir, alterar, transtornar o meu dia...uma famárcia de serviço, o tempo para amanhã, "ir" ao banco, consultar artigos, ler revistas on-line, consultar blogues amigos, mandar um mail, receber um documento...enfim...tudo isso é impossível de se fazer. Mas pronto. Já passou. Também são coisas que acabam por ter as suas virtualidades...obrigam-nos a dirigir o olhar num outro sentido e a encontrar outras coisas.
Mas não é por isso que estou aqui, se bem que é POR ISSO que aqui pude vir...o assunto é este pequeno excerto de um livro (de um pequeno fantástico livro) que é de leitura obrigatória: Cartas a Um Jovem Poeta, do Rilke. Tive o prazer de o apresentar em tempos lá na escola, no âmbito de uma actividade dedicada à leitura, e quantas, mas quantas vezes, "tropeço" em excertos do livro que abundam por aí, nos mais inusitados lugares e que encaro como verdadeiros sinais quando, do "nada", me vêm parar às mãos...
Partilho aqui um desses "sinais" que não podia deixar de acompanhar com um a música mágica...Daníell In The Sea...Riceboy Sleeps, uma divina descoberta recentíssima graças a este emaranhado de fios que me liga ao mundo inteiro e liga o mundo inteiro a mim:www
Fica o texto...
"Acredito que quase todas as nossas tristezas são momentos de tensão que consideramos paralisantes porque deixamos de ouvir os sentimentos surpreendidos a viver. Porque nos encontramos sós com uma coisa estranha que entrou no nosso interior (…) a coisa nova dentro de nós, aquela que está a mais, entrou no nosso coração, entrou para a parte mais profunda e já lá não está – já está no nosso sangue. E não percebemos o que foi. Facilmente poderíamos acreditar que nada acontecera, e o entanto estamos diferentes, como uma casa fica diferente quando um hóspede entra. Não sabemos dizer quem chegou, talvez nunca o saibamos, mas muitos sinais indicam que o futuro entra em nós, muito antes de acontecer. (…) E isso é necessário. É necessário (…) que nada de estranho nos deve acontecer, apenas aquilo que há muito nos pertence…”.
Rainer Rilke, Cartas a Um Jovem Poeta